Juiz de Fora precisa urgentemente de mais arborização
Uma pesquisa da professora Cássia Ferreira, do Laboratório de Climatologia e Análise Ambiental (LabCAA/UFJF), revelou uma diferença de temperatura de até 9°C entre o centro de Juiz de Fora e o Campus da Universidade, a apenas 5 km de distância. Esse fenômeno é conhecido como ilha de calor e destaca a importância da arborização urbana.
As árvores oferecem diversos benefícios à população, como bem-estar psicológico, melhoria estética da cidade, sombra para pedestres e veículos, proteção contra ventos, redução da poluição sonora e melhor qualidade do ar. Um estudo do Laboratório de Estudos da Paisagem da UFJF mostrou que 94% das áreas urbanas de Juiz de Fora têm um Índice de Área Verde (IAV) abaixo do recomendado pela OMS, que é de 12 m² por habitante.
Legislação e falta de ação
Embora a cidade tenha a Lei Municipal nº 13.206/2015, que estabelece a Política Municipal de Arborização Urbana, a implementação dessa norma ainda não ocorreu. A lei exige a criação do Plano Municipal de Arborização Urbana (PMAU), que até agora não foi elaborado, evidenciando um descompasso entre a legislação e sua aplicação prática.
Além disso, o Plano Municipal da Mata Atlântica (PMMA), que já foi desenvolvido e está com a Prefeitura, também priorizava a arborização para 2025, mas essa meta ainda não foi alcançada. A falta de uma estratégia de arborização não é apenas uma questão burocrática, mas pode agravar os problemas enfrentados pela população.
A ausência de árvores contribui para a falta de adaptação climática e compromete a saúde e o bem-estar dos cidadãos. Durante visitas a cidades em Portugal e na Itália, ficou evidente como a arborização é vista como essencial, promovendo conforto térmico e qualidade de vida. Ao contrário, em Juiz de Fora, a Avenida Getúlio Vargas, uma das mais movimentadas, apresenta apenas três árvores, o que é um retrato alarmante da situação.
É necessário que a cidade se mobilize para transformar a realidade da arborização urbana. A população precisa de sombra e um ambiente mais saudável, e a legislação já traçou o caminho a seguir. O que falta é vontade política para implementar essas ações.
Com informações de Tribuna de Minas.