Juiz de Fora e a história do Trem Xangai: um transporte urbano
Atualmente, quem vive em Juiz de Fora enfrenta dificuldades no trânsito para se deslocar pela cidade. No entanto, há algumas décadas, a realidade era diferente, com a presença de um serviço de trem urbano que conectava Benfica a Matias Barbosa. Conhecido como Trem Xangai, esse transporte operava regularmente, oferecendo uma alternativa de mobilidade aos moradores.
De acordo com um estudo sobre mobilidade urbana da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o Trem Xangai começou suas operações em 1951. O trajeto ligava Benfica, na Zona Norte, a Matias Barbosa, cobrindo uma distância de aproximadamente 36,5 quilômetros, com uma viagem completa levando cerca de uma hora e meia.
Memórias do transporte ferroviário na cidade
A história do trem urbano em Juiz de Fora remonta a 1923, quando a Estrada de Ferro Central do Brasil criou o serviço suburbano. Com o tempo, o trajeto entre Matias Barbosa e Benfica se consolidou como o Xangai, que fazia parte da rotina dos moradores. Registros históricos indicam que havia pontos de embarque em locais como Retiro, Mariano Procópio e Francisco Bernardino, entre outros.
No ano de 1993, o Trem Xangai ainda realizava viagens diárias, exceto em domingos e feriados, embora operasse com apenas um horário e três carros para passageiros. Em 1994, o serviço recebeu investimentos que aumentaram a frequência e a capacidade, conforme relatado à Câmara dos Deputados em 1995. Contudo, a operação regular do trem foi encerrada no final da década de 1990.
Apesar do fim do transporte, vestígios da história ferroviária ainda estão presentes em Juiz de Fora. A antiga Estação Ferroviária de Benfica, construída em 1877, é um exemplo de patrimônio tombado que remete ao desenvolvimento do bairro. No Centro, a antiga Estação da Praça Dr. João Penido também é protegida, assim como a estação de Mariano Procópio, que preserva seu conjunto original.
Quase 30 anos após o término do transporte urbano sobre trilhos, a memória do Trem Xangai persiste na cidade, simbolizando um período em que o trem era um meio cotidiano de deslocamento para os juiz-foranos.
Com informações de Folha JF.