Como abordar mudanças climáticas com crianças: dicas de especialistas
Com o aumento de eventos climáticos extremos, como calor intenso e chuvas fortes, a realidade de muitas crianças tem mudado. Um relatório recente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revelou que no Brasil, mais de 30 milhões de crianças estão expostas a múltiplos riscos climáticos. Diante desse cenário, é essencial discutir mudanças climáticas desde a infância, ajudando as crianças a desenvolver uma conexão mais consciente com o meio ambiente e preparando-as para os impactos decorrentes dessas alterações.
Como falar sobre o tema com as crianças
Em entrevista, as pesquisadoras Aldemara Amaral, da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), e Angélica Cosenza, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), abordaram a importância de conversar sobre mudanças climáticas de forma adequada para a faixa etária das crianças. Aldemara enfatiza que não há uma idade específica para iniciar esse tipo de conversa. O fundamental é adaptar a linguagem ao nível de compreensão e às experiências que a criança já possui com o ambiente ao seu redor.
Segundo Aldemara, mesmo crianças pequenas podem perceber mudanças em seu cotidiano, como a temperatura do ambiente, a sombra de uma árvore e a necessidade de água para plantas e animais. Ela ressalta que a educação ambiental deve começar cedo, utilizando as vivências diárias como ponto de partida para discussões sobre clima.
Para incentivar uma relação saudável com a natureza, Aldemara sugere que as crianças tenham contato direto com o meio ambiente. Atividades como brincar na terra, observar insetos e acompanhar a chuva podem ajudar na formação dessa conexão. Angélica também destaca que o acesso limitado a áreas verdes e saneamento básico em comunidades vulneráveis é uma questão de desigualdade social que deve ser considerada na educação ambiental.
A proposta de “desemparedamento” visa levar a educação para além das salas de aula, valorizando a natureza como um espaço de aprendizado. Angélica argumenta que a escola deve promover experiências ao ar livre, permitindo que as crianças aprendam com os ciclos naturais e estabeleçam vínculos com o ambiente.
Além disso, as pesquisadoras ressaltam que é fundamental abordar as mudanças climáticas de maneira que as crianças não se sintam culpadas ou apavoradas. Ao invés de transmitir uma visão catastrófica, é importante apresentar soluções e alternativas. Aldemara alerta sobre o uso de discursos alarmistas, que podem gerar medo e culpa nas crianças. Em vez disso, é essencial que elas sejam vistas como agentes de mudança, podendo participar ativamente na construção de soluções para os problemas ambientais.
Desenvolver essa consciência ambiental desde cedo ajuda as crianças a entenderem seu papel no mundo e a se tornarem defensoras de um futuro mais sustentável.
Com informações de Tribuna de Minas.