Espetáculo ‘Benze’ celebra tradições de benzedeiras mineiras
O espetáculo “Benze”, criado pelo grupo de teatro Encruza, é uma homenagem às benzedeiras da região de Juiz de Fora e suas práticas de cura. Com estreia programada para este mês, a peça irá percorrer várias cidades, começando por Mariana neste domingo (27), e seguindo para Viçosa, Chácara, Cataguases, Juiz de Fora e até o Rio de Janeiro.
A proposta do projeto é não apenas apresentar a peça, mas também fomentar um diálogo com o público através de rodas de conversa após as apresentações. Essas discussões visam ampliar a compreensão sobre os saberes populares e a importância das benzedeiras nas comunidades.
Uma jornada de pesquisa e memória
O processo criativo de “Benze” teve início com a pesquisa realizada com Dona Ivone, uma benzedeira do Bairro Retiro, em Juiz de Fora. Através de suas experiências, o grupo buscou entender melhor as tradições associadas ao benzimento, incluindo rezas, ervas e gestos que fazem parte desse universo. A dramaturgia, desenvolvida por Ciça Liberdade e Janaína Fernandes, reflete essa rica herança cultural, inspirando-se em referências como Leda Maria Martins e Carlos Rodrigues Brandão.
Durante o processo, a equipe percebeu a importância de preservar esses conhecimentos, muitos dos quais são passados oralmente e correm o risco de se perder. Janaína destaca que o espetáculo é uma homenagem às mulheres que mantêm essa tradição viva, e que a pesquisa se transformou em uma forma de dar voz a essas guardiãs do saber.
Além das apresentações, o projeto também resultará em um minidocumentário que capturará os depoimentos das benzedeiras, reforçando a conexão entre a arte e a vida real. A presença de benzedeiras de Viçosa durante a circulação do espetáculo promete enriquecer ainda mais a troca de experiências e a valorização dos saberes locais.
“Benze” foi contemplado em 2025 pela Lei Paulo Gustavo e busca não apenas entreter, mas também provocar reflexões sobre a cultura popular e a importância das benzedeiras, que frequentemente são invisibilizadas. O espetáculo visa criar um espaço onde essas mulheres possam ser ouvidas e suas histórias, valorizadas.
O grupo Encruza, fundado por Ciça Liberdade, está em seu quarto ano de atuação e se dedica a promover a cultura negra e as narrativas de mulheres através de suas produções teatrais. Com projetos como o Festac – Festival de Artes Cênicas de Juiz de Fora, o grupo tem se destacado na valorização das artes cênicas e na transformação social por meio da memória e da reflexão.
Com informações de Tribuna de Minas.