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Sábado, 17 de outubro de 2026

Cortes em benefícios sociais podem afetar economia interiorana

Por Redação Segue Dicas 3 min de leitura
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Economia
Imagem ilustrativa · Banco Segue Dicas

Um estudo recente do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made) da Universidade de São Paulo (USP) aponta que a estagnação ou os cortes nos benefícios sociais e previdenciários podem provocar uma retração significativa na economia de municípios do interior do Brasil. O levantamento, divulgado nesta semana, revela que aposentadorias, Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) representam uma parcela considerável do orçamento das famílias mais carentes, chegando a quase 50% de sua renda.

A economista Luiza Nassif, co-diretora do Made-USP, destaca que os recursos recebidos por essas famílias são majoritariamente utilizados para comprar produtos de primeira necessidade, o que garante a circulação de dinheiro no comércio local, sustenta empregos e mantém a arrecadação municipal. Dos 5.569 municípios brasileiros, cerca de 4 mil estão fora das regiões metropolitanas, onde as transferências públicas têm um impacto duas vezes maior em relação aos grandes centros urbanos.

Impactos econômicos e sociais

No Ceará, por exemplo, os benefícios sociais e previdenciários correspondem a 22% da renda na capital e na região metropolitana, enquanto nas cidades do interior esse número sobe para 40%. O estudo também projetou os efeitos da evolução da renda proveniente de benefícios sociais nas cidades do interior entre 2022 e 2025. Sem os reajustes, a renda agregada nessas regiões poderia sofrer uma retração de 6,8% a 10,8% em relação a um cenário com valorização real dos benefícios.

Os cenários mais críticos foram identificados no interior do Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí, com quedas de renda de 17% a 18%, enquanto estados como Amazonas, Sergipe e Pernambuco teriam perdas em torno de 15%. Em estados como Ceará, Maranhão, Alagoas e Bahia, a redução seria de 10% a 13%. Já em locais como Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo, a queda ficaria em torno de 6,5%.

Além de afetar a renda, os benefícios sociais são cruciais no combate à pobreza. Nassif alerta que qualquer reajuste abaixo da inflação pode levar famílias a uma situação de vulnerabilidade extrema. Estimativas do estudo indicam que, sem ganhos reais nos benefícios entre 2022 e 2025, cerca de 2,7 milhões de pessoas podem ser empurradas para a pobreza nas cidades fora das regiões metropolitanas, sendo 2,4 milhões delas para a extrema pobreza. As maiores altas na pobreza são previstas para a Bahia, São Paulo e Minas Gerais.

O levantamento ressalta a importância de manter a valorização real da previdência e dos programas de transferência de renda para garantir dignidade às famílias e a sobrevivência do comércio local nas regiões mais afetadas do Brasil.


Com informações de Agência Brasil.

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