Tribuna de Minas

Julgamento sobre morte de motorista de aplicativo entra na fase de debates

Familiares e amigos da vítima manifestaram em frente ao Fórum nesta terça-feira (Foto: Leonardo Costa)
Após a oitiva de 11 testemunhas e do interrogatório do réu, de 36 anos, o júri sobre a morte do motorista de aplicativo Sandro Pereira contou com o interrogatório do réu, de 36 anos, e, por volta das 15h, entrou na fase de debates, entre acusação e defesa. A expectativa é que a sentença seja pronunciada ainda nesta terça-feira (5).
O réu, que trabalha como vigilante, confirmou ter desferido golpes de canivete contra Sandro. “Ele direcionou o carro para minha esposa, e eu falei: cuidado com a minha esposa. Não esperava a reação dele. Desceu do veículo e veio com a barra de ferro para cima de mim. Após levar alguns golpes, consegui pegar o canivete e só fiz movimentos de defesa. Já tentei relembrar, mas não sei onde o acertei. Só no HPS que soube que tinha acertado”, justificou, sobre não ter contado à PM que havia desferido golpes de canivete na vítima, quando acionou a corporação para registrar a ocorrência como vítima. O réu também afirmou não saber onde foi parar o canivete depois da ação. A arma branca não chegou a ser localizada.
“Eu recebi uns quatro, cinco golpes. Ele (motorista) só parou quando minha esposa disse que havia chamado a polícia e foi embora.” O vigilante disse estar arrependido “de ter saído de casa naquele dia”, dizendo que era um momento de comemoração por uma promoção no emprego, que virou uma tragédia. “Em momento algum saí de casa para machucar alguém. Fiz o que podia para me defender e defender quem estava comigo.”
O réu também relatou momentos que viveu na prisão, incluindo um tiro de borracha que levou no supercílio. “Nenhum cidadão de bem imagina passar por isso.”
Testemunhas
Além dos dois polícias militares que atenderam a ocorrência, prestaram depoimento uma testemunha que presenciou parte da ação ocorrida na Rua Espírito Santo. O homem estava dentro de um carro parado atrás e a determinada distância de onde estava o carro de Sandro.
Ainda houve a oitiva de uma irmã afetiva de Sandro. Ela contou que ele atuava como motorista há mais de dez anos e também ressaltou os cuidados que ele tinha com a mãe durante a pandemia de Covid-19, já que ela é idosa e possui comorbidades, como pressão alta e diabetes. “Ele trabalhava um curto período para ela não ficar sozinha.” A mulher também comentou que Sandro deixou um filho, de mais de 20 anos.
A esposa do réu, que estava presente na ocasião dos fatos, contou que a família havia saído para comemorar a promoção dele no trabalho naquele dia. Após o almoço, eles chamaram o carro por aplicativo. “Minha irmã entrou sem máscara, e ele já ficou alterado, exigindo que ela colocasse, de forma agressiva.” Depois de a irmã dela conseguir uma máscara emprestada com amigos que estavam próximos em uma moto, o carro continuou para descer a Rua Espírito Santo, e o réu pediu ao motorista para ligar o ar-condicionado. “Ele ficou muito agressivo, batendo as mãos no volante, falando que o ar tinha que circular. Quando falei que ia denunciá-lo na plataforma, ele parou o carro de qualquer jeito e mandou a gente descer. Peguei o celular para tirar foto da placa, e ele jogou o carro para cima de mim. Eu falei que ia chamar a polícia. Ele pegou a barra de ferro e foi para cima do meu marido, que ficou acuado. Minha irmã tentou separar e também foi agredida.”
A cunhada do réu em questão também contou a mesma versão. As duas mulheres afirmaram que não viram sangue após a briga e que só ficaram sabendo posteriormente que Sandro estava ferido. Elas também asseguraram que não viram mais o canivete usado pelo réu e que a PM ainda havia feito buscas pela arma branca no local, sem sucesso. Elas ainda contaram que ligaram para a polícia para registrarem a ocorrência como vitimas e depois para o pai delas, que é militar. “Somos uma família de bem. Minha irmã era recém-casada, e eles planejavam ter filhos. Tem sido um sofrimento muito grande para a família”, desabafou a mulher, sobre o processo e a prisão do cunhado, por cerca de oito meses. A família relatou ter sofrido represálias, ataques na internet e medo constante. “Nunca mais seremos os mesmos.”
O pai das mulheres e sogro do réu confirmou em depoimento: “Nossa família foi massacrada e perseguida.”
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