Zona da Mata

Lançamento de livro revive a obra de Arlindo Daibert

O Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm) será palco do lançamento do livro “As mandalas de Arlindo Daibert” nesta quarta-feira (12), a partir das 19h. A obra é uma extensa pesquisa sobre a trajetória do artista, que se destacou como desenhista, gravador, pintor e professor. O foco se dá principalmente nas suas emblemáticas tarjas, conhecidas como “Mandalas”.

Ronald Polito, autor do livro, está entre os convidados da noite, que contará ainda com a presença da ex-diretora do Centro de Estudos Murilo Mendes, Neysa Campos, do editor André Colombo e da superintendente do Mamm, Renata Zago. Durante o evento, haverá uma roda de conversa, onde cidadãos poderão se aprofundar nas conversas sobre o legado de Daibert.

Um olhar sobre Arlindo Daibert

Polito conecta sua curiosidade pelo trabalho de Daibert a uma visita à sua primeira exposição em 1976. Sua conexão emocional e intelectual com a obra do artista foi tão profunda que ele fez questão de registrar seu nome no livro de assinaturas da mostra. Visitar as mandalas impressionou não apenas como o jovem foi impactado por seu apuro técnico e pela força visual das obras.

A solo de Daibert se destaca pela proficiência em fundir texto e imagem. Como explica André Colombo, poucos artistas lograram tal sinergia nas artes visuais, fazendo da literatura uma estrutura visual em vez de mera ilustração. Sua formação em Letras pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e um período em Paris ampliaram suas referências para criação, ditando um percurso artístico rico.

O estudo das mandalas de Daibert abrangem influências da psicologia junguiana, além de tradições simbólicas ocidentais e orientais, refletindo em uma experimentação única entre escrita e desenho. A interpretação de sua obra é como um vasto campo poético, segundo André: o entrelaçamento de imagem, palavra e memória redefine as possibilidades artísticas contemporâneas.

A pesquisa que culminou no livro teve início em 2018, incluiu transcrições de diários, correspondências e vários materiais dispersos, criando uma nova base para futuras investigações sobre o artista. O livro é um convite ao reconhecimento do valor histórico de Daibert, conhecido por sua profunda conexão com a poesia de Murilo Mendes, a quem dedicou muitas de suas explorações artísticas.

Amiga de longa data de Arlindo, Neysa Campos relembra a singularidade da exposição das Mandalas, onde na ocasião o artista enviou convites com fragmentos de uma mandala. Segundo ela, Arlindo mereceria um espaço próprio na cidade para que sua vasta obra fosse mais conhecidas. “A obra dele está espalhada pelo mundo, e deveria ter um espaço ‘Arlindo’ em Juiz de Fora”.


Com informações de Tribuna de Minas.

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