Demolições no São Bernardo começam, mas moradores resistem

No último dia 21 de agosto, a Prefeitura de Juiz de Fora deu início às demolições de imóveis na Rua Maranhão, no Bairro São Bernardo, impactados pelas chuvas de fevereiro. A Defesa Civil, após vistorias, classificou essas residências como irrecuperáveis. Na quarta-feira (26), apenas a garagem de uma das casas havia sido parcialmente derrubada, indicando que o processo está lentamente se desenrolando.
A intervenção, que integra a primeira fase do plano das autoridades, pretende demolir 22 imóveis na via. Contudo, apesar da urgência demonstrada pela administração pública, as demolições caminham a passos lentos. Construtos despedaçados ainda convivem com móveis e utensílios deixados no local, enquanto cones e faixas sinalizam a interdição da rua, que permance acessível.
Moradores enfrentam incertezas e insegurança
Os moradores ainda ocupam algumas casas condenadas, e muitos se veem em uma situação difícil. Com medo de desabamentos devido a rachaduras nas paredes, alguns tentam se deslocar entre imóveis, fugindo do avanço das máquinas. A sensação de abandono se intensifica, especialmente durante a noite, aumentando a insegurança na área.
A reportagem conversou com uma idosa que, apesar de ter seu imóvel liberado, tem várias netas morando em casas que serão demolidas. Ela afirmou que apenas uma delas foi contemplada com o programa Compra Assistida, que visa auxiliar financeiramente a aquisição de novas moradias. A avó, frustrada com a falta de resposta das autoridades, desabafa sobre a situação humilhante que enfrenta há anos.
Outras moradoras também expressaram sua angústia ao relatar que, após terem sido informadas sobre as demolições, se conformaram em viver provisoriamente em uma casa condenada. Uma delas aguarda há dois meses pela conclusão do processo de compra e relatou a falta de informação por parte dos órgãos responsáveis. A incerteza sobre o futuro faz com que muitos desejem que as demolições aconteçam de uma vez, para que possam seguir adiante.
O desespero e as dúvidas permeiam o cotidiano dos que habitam a rua. A situação é emblemática de um processo que gera não só o deslocamento físico, mas também um profundo impacto emocional e social, evidenciado pela falta de diálogo e orientação das autoridades competentes.
Com informações de Tribuna de Minas.
