Zona da Mata

DNA de vira-lata caramelo revela história da população canina

Um recente estudo realizado pela PetGenoma, sediada na Universidade de São Paulo (USP), destacou o papel do vira-lata caramelo na compreensão da formação da população canina brasileira. Com cerca de quatro mil cães sem raça definida analisados, a pesquisa revela como o DNA desses animais pode ilustrar aspectos significativos da história brasileira e da diversidade canina.

Resultados e implicações do estudo

O estudo, que ocorreu entre 2024 e 2026, buscou preencher uma lacuna na compreensão genética dos cães no Brasil, país detentor de uma das maiores populações de cães do mundo, predominantemente composta por vira-latas. Edu Lemos, CEO da PetGenoma, explica que a maioria do conhecimento genético é focado em raças específicas de países como Estados Unidos e Europa, enquanto pouco se sabe sobre os vira-latas brasileiros.

A coleta de dados foi feita de maneira não invasiva, utilizando cotonetes para obtê-los das gengivas dos cães. A partir das amostras, a equipe analisou mais de 300 variantes genéticas, relacionadas a doenças hereditárias e traços de saúde, destacando peculiaridades genéticas que podem fornecer informações sobre a ancestralidade dos cães e influenciar seu bem-estar.

A pesquisa revelou que, em média, os animais apresentam um padrão genético reconhecível. Contudo, quando olhados individualmente, os dados divergem bastante, apontando que dois cães semelhantes, por fora, podem ter composições genéticas muito diferentes. Lemos enfatiza que a aparência do vira-lata não provém de uma única raça, mas sim da mistura genética ao longo de gerações.

Além disso, o estudo trouxe à tona questões como a saúde dos vira-latas, que é frequentemente considerada superior à de cães de raça definida. Embora haja um certo nível de veracidade nesse mito — o conceito de ‘vigor híbrido’, que pode reduzir doenças hereditárias —, Lemos alerta que esse benefício diminui quando há consanguinidade entre os cães. Isso se agrava considerando que os animais, em áreas de abrigo ou de rua, tendem a se reproduzir entre si, aumentando a homozigose e, consequentemente, o risco de doenças genéticas.

Os resultados do estudo servem para desmistificar algumas crenças populares sobre a saúde dos vira-latas, sinalizando que enquanto a variabilidade genética é geralmente benéfica, a endogamia, quando não controlada, pode provocar problemas significativos na saúde dos animais ao longo do tempo. O estudo, portanto, representa um passo importante na compreensão da genética canina e no aumento do conhecimento sobre a verdadeira condição desses animais que tanto fazem parte da história e cultura brasileiras.


Com informações de Tribuna de Minas.

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