Teste com sangue menstrual revela alta eficácia contra HPV

Estudo realizado com mais de 3 mil mulheres na China revela que a coleta de sangue menstrual em absorventes pode detectar a presença do papilomavírus humano (HPV) com desempenho semelhante ao exame tradicional. Os resultados foram publicados na revista científica BMJ e mostraram que a sensibilidade do novo método foi de 94,7% na identificação de lesões cervicais de alto grau, em comparação aos 92,1% do teste realizado por profissionais de saúde.
Ampliação do acesso ao rastreamento
Os pesquisadores acreditam que essa nova abordagem pode facilitar o acesso ao teste para o câncer do colo do útero, especialmente em locais com menos estrutura para realização de exames ou onde as mulheres enfrentam dificuldades para obter atendimento adequado. A pesquisa envolveu 3.068 mulheres com idades entre 20 e 54 anos, que viveram em áreas tanto urbanas quanto rurais e possuíam ciclos menstruais regulares.
As participantes realizaram três tipos de teste: o novo teste de HPV a partir do sangue menstrual, a coleta cervical feita por profissionais de saúde e a citologia cervical, também conhecida como Papanicolau. Aqueles que testaram positivo seguiram para biópsia. O foco dos pesquisadores foi a precisão diagnóstica na detecção de lesões consideradas de alto risco.
Embora o método de coleta de sangue menstrual tenha mostrado eficácia comparável, com uma especificidade de 89,1%, ligeiramente inferior aos 90% do método convencional, o valor preditivo negativo foi idêntico para ambos, alcançando impressionantes 99,9%. Isso indica que uma mulher com resultado negativo realmente não possui lesão.
No entanto, apesar dessas promessas, a ginecologista Renata Bonaccorso Lamego ressalta que a prática ainda enfrenta vários obstáculos. Os custos dos kits de teste são elevados e há o risco do material não ser adequadamente manuseado pelas pacientes. Ela diz que a implementação dessa nova técnica clínica deve ser avaliada com cautela, pois o gerenciamento dos resultados positivos ainda é um desafio importante.
Em um cenário onde cerca de 20% das mulheres brasileiras testam positivo para HPV, a especialista enfatiza a importância de orientar essas pacientes sobre os resultados, especialmente porque a presença do vírus não garante que haja lesão maligna. Entre 3% e 7% das mulheres com HPV positivo apresentam lesões de alto grau ou câncer.
Conforme as previsões do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar aproximadamente 19 mil novos casos de câncer de colo do útero anualmente entre 2026 e 2028. Quando detectada precocemente, essa doença possui um alto potencial de cura, além de ser prevenível por vacina e exames de rastreamento adequado.
Com informações de Tribuna de Minas.


