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Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

UFV cria tecnologia inovadora para adicionar creatina a alimentos

Por Redação Segue Dicas 3 min de leitura
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Viçosa - MG
Imagem ilustrativa · Banco Segue Dicas

Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) desenvolveram uma técnica inovadora que permite a incorporação de creatina em alimentos e bebidas industrializados, mantendo a estabilidade do suplemento ao longo do tempo. Essa nova abordagem utiliza uma fase oleosa estruturada em conjunto com uma emulsão, formando uma barreira que protege a creatina da água.

A iniciativa faz parte do trabalho realizado no Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos (PPGCTA) e já resultou no pedido de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Os produtos que podem se beneficiar dessa tecnologia incluem pães, iogurtes e bebidas, ampliando as opções de consumo para os usuários da creatina.

Avanços na preservação da creatina

A creatina, normalmente encontrada em pó e diluída em água antes do uso, é amplamente reconhecida por seus benefícios no desempenho esportivo e no ganho de massa muscular. Além disso, sua utilização sob orientação profissional tem sido recomendada para a preservação de massa muscular e densidade óssea. Contudo, a adição dessa substância a produtos industrializados apresenta desafios, já que, em contato prolongado com a água, especialmente em ambientes ácidos, a creatina se degrada e se transforma em creatinina, que é inativa e eliminada pelo organismo.

O pesquisador Erivan Batista Júnior explica que a creatina se mantém mais estável em produtos secos. “A forma tradicional, a creatina monohidratada, é utilizada principalmente em produtos secos, onde sua estabilidade é maior. Ao entrar em contato com a água, ela perde essa estabilidade ao longo do tempo”, destaca.

Embora a degradação não represente riscos à saúde, ela compromete a eficácia nutricional do produto. Em alimentos e bebidas industrializados, o intervalo entre a fabricação e o consumo, que inclui transporte e armazenamento, pode reduzir a quantidade de creatina disponível.

Para resolver essa questão, a equipe do Laboratório de Higiene e Microbiologia de Alimentos da UFV criou um sistema que utiliza a fase oleosa estruturada e a emulsão, formando uma barreira protetora que diminui o contato da creatina com a água. O professor Evandro Martins, orientador do projeto, ressalta que “o principal resultado foi o desenvolvimento de um sistema que permite incorporar altas concentrações de creatina nessa fase oleosa, facilitando sua dispersão”.

Essa combinação de estabilidade química e capacidade de dispersão possibilita a adição de creatina em diferentes formulações de alimentos e bebidas em larga escala. Além de sua aplicação, a tecnologia pode servir como base para desenvolver novas estratégias de proteção de compostos bioativos na indústria alimentícia.


Com informações de Tribuna de Minas.

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