Hospitais de Juiz de Fora podem parar por falta de repasses
Hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Juiz de Fora estão considerando uma nova paralisação parcial dos atendimentos na próxima semana. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (23) pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde e Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Juiz de Fora (Sindsaúde-JF). O alerta surge em um momento de alta demanda no Hospital de Pronto Socorro Dr. Mozart Geraldo Teixeira (HPS), que atualmente opera com 95% de ocupação em seus leitos de enfermaria.
A possível interrupção dos serviços pode agravar ainda mais a situação da rede municipal de saúde, que já enfrenta uma demanda elevada. Entre os dias 19 e 22 de outubro, o HPS registrou um aumento significativo na procura por atendimentos, conforme informações fornecidas pela Prefeitura.
Motivos da paralisação e situação financeira
De acordo com o Sindsaúde-JF, a intenção de interromper parcialmente os atendimentos está ligada ao descumprimento de um acordo firmado entre a Prefeitura e os prestadores de serviços, mediado pelo Ministério Público em 16 de outubro. O acordo previa a regularização dos repasses financeiros às unidades de saúde. O sindicato afirma que os recursos, provenientes de esferas federal e estadual, já foram depositados no Fundo Municipal de Saúde, mas estariam sendo retidos pela administração municipal sem explicações.
A possível paralisação é uma estratégia do sindicato para pressionar a Prefeitura a regularizar os pagamentos e garantir a saúde financeira dos hospitais. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre quais unidades poderiam parar, quais serviços seriam afetados ou a data de início da paralisação. O sindicato promete comunicar novas orientações assim que houver uma definição.
A Tribuna de Minas tentou contato com a Prefeitura de Juiz de Fora para obter esclarecimentos sobre as alegações de retenção de repasses e a possibilidade de paralisação, mas não obteve resposta até o fechamento da matéria. O vereador Marcelo Condé (Avante), presidente da Comissão de Saúde Pública e Bem-Estar Social da Câmara Municipal, também cobrou mais transparência sobre a situação financeira dos hospitais, ressaltando a necessidade de informações concretas para esclarecer as divergências entre a Prefeitura e as instituições.
Enquanto isso, o HPS já enfrenta um aumento na demanda por atendimentos. Entre os dias 19 e 22 de outubro, a unidade notou um aumento de aproximadamente 36,5% nos atendimentos diurnos, em comparação com a média proporcional. Em momentos de pico, esse crescimento chegou a 53,6%. Além disso, houve uma maior proporção de pacientes em estado grave que requerem internação prolongada. A Prefeitura não esclareceu as razões do aumento na demanda ou se houve um aumento em condições clínicas específicas.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também foi contatado para verificar se houve um aumento nos chamados de urgência e emergência, mas informou que a variação no número de atendimentos foi mínima.
Com informações de Tribuna de Minas.