Entenda o transtorno dissociativo de identidade e seus mitos

O transtorno dissociativo de identidade (TDI) é uma condição psiquiátrica complexa em que uma pessoa apresenta duas ou mais identidades distintas que podem alternar seu controle. Essas oscilações podem gerar episódios inusitados, como acordar em locais diferentes sem recordar como chegou lá ou descobrir objetos em casa que não foram adquiridos conscientemente. Essas experiências, embora pareçam ficcionais, são reais para aqueles que sofrem com o transtorno.
Segundo o DSM-5, um manual importante para psiquiatras, as identidades alternativas, chamadas de alters, possuem características próprias, como diferenças na memória, no comportamento e na forma de se expressar. O psiquiatra Daniel Oliva, do Espaço Einstein de Bem-estar e Saúde Mental, destaca que um dos aspectos centrais do TDI é a existência de lacunas de memória entre essas identidades. Embora popularizados por filmes como *Fragmentado* e *Vidro*, onde o protagonista apresenta múltiplas personalidades de forma extrema, na realidade, os casos podem ser menos evidentes e mais internos.
As diferentes manifestação do TDI
Existem duas formas principais do transtorno: a não possessiva, que é a mais comum, e a possessiva. Enquanto a forma não possessiva é caracterizada por mudanças sutis que muitas vezes causam desconforto, a possessiva é marcada por uma aceitação social mais visível. Os indivíduos afetados frequentemente relatam sentimentos de despersonalização e, com frequência, as identidades alternadas não se comunicam entre si. Isso se reflete em sintomas como vozes internas que, embora não sejam alucinações, funcionam como pensamentos autônomos.
A complexidade do diagnóstico do TDI muitas vezes resulta em uma subnotificação do transtorno, já que os pacientes tendem a ocultar suas experiências por vergonha. O mais recente consenso científico relaciona o TDI a traumas severos na infância, como abuso ou ambientes altamente estressantes. A dissociação surge frequentemente como um mecanismo de defesa que fragmenta memórias para proteger a saúde mental.
Além disso, a falta de compreensão sobre a natureza do TDI impede o reconhecimento da condição, e os sintomas frequentemente não são atribuídos a esse transtorno. Para muitos, os lapsos de memória se tornam um dos aspectos mais devastadores, complicando a vida cotidiana, relacionamentos afetivos e o ambiente de trabalho, pois outros podem se sentir frustrados com a falha de lembrança de momentos significativos.
O tratamento para o TDI é geralmente extenso e focado na psicoterapia especializada em traumas. A prioridade inicial deve ser estabilizar os sintomas e garantir um ambiente terapêutico seguro, promovendo a recuperação e a integração gradual das identidades.
Com informações de Tribuna de Minas.

