IEF lança projetos para restaurar biodiversidade do Rio Doce
Nesta terça-feira (13/10), em comemoração ao Dia Internacional dos Desastres Ambientais, o Instituto Estadual de Florestas (IEF) anunciou iniciativas voltadas para a recuperação da biodiversidade aquática na bacia do Rio Doce. Essa área foi severamente afetada pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em 2015, que despejou milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro.
Os projetos têm como foco a restauração de ecossistemas, a conservação de espécies nativas e a melhoria das condições ambientais na bacia, que abrange Minas Gerais e Espírito Santo. O desastre ambiental impactou negativamente a qualidade da água e favoreceu o crescimento de espécies exóticas invasoras, além de comprometer a fauna e flora locais.
Ações e objetivos dos projetos
A diretora de Proteção à Fauna do IEF, Ariane Goulart, destaca que, atualmente, apenas 25% dos peixes na bacia são nativos e de interesse pesqueiro. Para reverter essa situação, é necessário controlar as espécies invasoras e restaurar os habitats onde os peixes se alimentam, se abrigam e reproduzem.
As ações do IEF fazem parte do Acordo de Reparação do Rio Doce, assinado em outubro de 2024 entre os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, a União, Defensorias Públicas, Ministérios Públicos e as empresas Samarco, Vale e BHP Billiton. O rompimento da barragem causou não apenas 19 mortes, mas também danos sociais, ambientais e econômicos significativos para a região.
Dentre os projetos em destaque, o Renasce Doce visa revitalizar os ecossistemas aquáticos, abordando as causas do declínio da biodiversidade. O Projeto Peixes do Amanhã, por sua vez, busca recuperar populações de peixes nativos, especialmente aqueles ameaçados de extinção, como o surubim-do-doce, através de reprodução em ambiente controlado e soltura no rio.
De acordo com Henrique Belfort, coordenador dos projetos de reparação do Rio Doce, é fundamental a realização de medidas complementares, como a restauração dos habitats e o controle de espécies invasoras, para que a recuperação das populações seja efetiva. “Queremos criar condições para a conservação dos peixes nativos e promover uma pesca sustentável no futuro”, enfatiza.
Em 2025, foi lançado um edital para selecionar pesquisas, resultando na escolha de sete projetos que focam na restauração da fauna aquática e no controle das espécies invasoras. A colaboração entre pesquisa e ações práticas visa aumentar o conhecimento sobre a biodiversidade da bacia e subsidiar as iniciativas de recuperação.
Além dos benefícios ambientais, as ações do IEF também visam impactar positivamente as comunidades que dependem dos rios, uma vez que a degradação afeta a pesca e o turismo, fundamentais para a economia local. Com os projetos Renasce Doce e Peixes do Amanhã, o IEF busca reparar os danos ambientais e garantir a recuperação sustentável da fauna aquática no Rio Doce.
Com informações da Agência Minas. Foto: IEF / Divulgação.